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sábado, 7 de julho de 2012

"Olhar Tático: Forlán e Seedorf: reforços técnicos e táticos" - Coluna do FC Gols



O futebol brasileiro tem, nos últimos anos, tido êxito na busca de jogadores com bagagem internacional. Alguns vão dizer que são jogadores "falidos", mas mesmo assim vejo lado bons nisso tudo como a divulgação do nossos clubes internacionalmente, capacitação técnica do próprio futebol (são grandes jogadores que contribuem tecnicamente para seus clubes e para o futebol brasileiro) e o crescimento financeiro dos clubes (exatamente pelo marketing com tais jogadores nacionalmente e internacionalmente).

As duas últimas contratações desse porte do futebol brasileiro foram Seedorf, pelo Botafogo, e Diego Forlán, pelo Internacional.

O primeiro é um craque. Clarence Seedorf é o primeiro grande jogador europeu que vem atuar em território brasileiro. O holandês já é veterano (36 anos de idade), mas seu talento é indiscutível. Já foi titular em times de primeiro escalão da Europa como Inter de Milão, Real Madrid, e mais recentemente, Milan (onde já estava há uma década).

Forlán está em outra condição. O atacante uruguaio tem um talento inferior ao de Seedorf, obviamente, mas vem tendo destaque no cenário mundial há alguns anos. Para sua infelicidade nunca se firmou em um grande time europeu, tendo suas melhores passagens pelo Villarreal e o Atlético de Madrid. Mas seu grande momento foi há quase dois anos na Copa do Mundo quando foi eleito melhor jogador do torneio levando sua seleção à quarta colocação.

Nenhum dos dois estão no auge de suas carreiras, muito pelo contrário já estão em uma fase de declínio técnico há um tempo. Mesmo assim são ótimos reforços para seus clubes pelos motivos já citados anteriormente.

Porém, mais que mídia, valorização e crescimento esses jogadores tão grandes contribuições à suas equipes técnica e taticamente.

Primeiramente por Forlán. O uruguaio vem para reforçar o já forte sistema ofensivo do Internacional, formado por Dagoberto, Leandro Damião, D'Alessandro, Dátolo, Oscar, Gilberto, Marcos Aurélio e Jajá.  Os cinco primeiros com totais condições de titularidade. Forlán vem "apenas" para fortalecer esse elenco.

Porém seu talento o torna favorito a titularidade e com sua polivalência do meio para frente as alternativas táticas para o Inter são inúmeras.

Temos que levar em consideração os grandes momentos do jogador para poder avaliar suas alternativas táticas. Falar em grandes momentos de Forlán já nos leva a pensar na Seleção Uruguaia, principalmente na Copa do Mundo e na Copa América. 

Na Copa de 2010, o Uruguai jogava numa espécie de 4-2-3-1, mas que na prática era um 4-4-1-1; Forlán jogava como um meia-atacante armando e chegando na frente para concluir. Seu brilho máximo quando foi o craque do mundial!

Na Copa América, o Uruguai usava um 4-4-2 mais bem desenhado com marcação um pouco mais adiantada e Forlán mais como atacante, apesar de ter feito menos gol e de ainda ser o homem que mais armava no time.

As atuações pela Celeste nos últimos dois anos mostram as variações táticas que Forlán pode oferecer no Internacional. Por exemplo, se Dorival for querer continuar no 4-2-3-1 costumeiro ele teria chances como meia de ligação, como um meia mais aberto pela direita/esquerda ou até liderando o ataque que não teria um homem totalmente fixo. Além do 4-2-3-1 temos outras opções.

O 4-2-3-1 do Inter com Forlán aberto pela esquerda (na vaga de Dagoberto/Dátolo) é a opção mais esperada no momento. D'Alessandro é titular absoluto no meio-campo colorado, e Oscar faz muito bem a função de meia pela direita entrando pelo meio. Dessa forma Forlán e Inter ficam mais próximos a área, formando assim uma dupla artilheira.

 Na ausência de Damião, o camisa 7 também pode jogar centralizado, mas com mais movimentação que Damião e aproveitando seu faro de gol.

Quando digo que Forlán vem para ser útil taticamente falo mais do que sua utilidade em diferentes posições no meio-campo ou no ataque. Ele é útil porque pode para suprir desfalques da equipe. Sem D'Alessandro e Oscar (principais jogadores de armação da equipe), por exemplo, ele pode assumir a armação e formar um quarteto fortíssimo com Dátolo, Dagoberto e Damião. Sem Damião, ele pode virar um atacante mais próximo a área. Forlán vem para reforçar o Inter tecnicamente e taticamente.

Seedorf também vem para o Botafogo trazendo grandes benefícios para o clube em termos de técnica e tática. O meia holandês é, incontestavelmente, muito talentoso. Um meia de grande visão de jogo, passe preciso e arremate potente à longa distância. Mas é um veterano. Não possui mais tanta velocidade e acompanhar um ritmo jogo acelerado não dá pra ele.

Mesmo assim ele era titular do Milan na última temporada, então não pode está totalmente "morto". Não está. Em natural decadência, claro. Mas ainda em condições de jogar e contribuir para o Botafogo.

O 4-3-1-2 do Milan na última temporada: Boateng fazendo a ligação com a dupla Robinho e Ibra e o trio de "volantes" às costas dele formado por Seedorf, Nocerino e Ambrosini. Dos três "volantes" Seedorf era o menos marcador, jogava como um 3º homem no meio-campo armando o jogo de trás.

Quando jovem Clarence tinha condições de jogar mais próximo ao ataque (na ótima temporada 2006-07 fez dupla com Kaká jogando nessa função no 4-3-2-1 da equipe), mas hoje em dia costuma jogar mais atrás sem necessitar de tanta dinâmica e movimentação. 

 O 4-2-3-1 habitual de Oswaldo Oliveira no Botafogo (considerando a contratação de Rafael Marques) costuma ter Andrezinho na armação, Fellype Gabriel e Vitor Júnior pelas pontas e Renato como segundo volante auxiliando na armação. Muitos pensam em Seedorf jogando nessa posição, mas Seedorf e Renato juntos pode dificultar a velocidade da equipe e atrapalhar o rendimento do próprio craque.

 Talvez a melhor alternativa para Seedorf é jogar mais atrás na vaga de Renato com jogadores de velocidade correndo por ele (considerando Lodeiro na vaga de Andrezinho) para dar liberdade para o craque pensar. Uma das formas de aproveitar o talento do holandês.

Uma forma de conciliar Renato e Seedorf no time é abrindo mão do 4-2-3-1 e jogando num 4-3-1-2 próximo ao do Milan de Allegri em que Seedorf jogou a última temporada.

As precauções para que não ocorrer com Seedorf e Renato o mesmo que com Juninho e Felipe devem ser observadas. Acho possível que os dois joguem juntos e, mais que possível, vejo como algo até viável, porém o acréscimo tático que Juninho e Felipe juntos dão ao Vasco é muito maior que o de Renato e Seedorf. Renato é inferior a qualquer um desses três nomes que citei.

Em geral, a utilidade tática de Seedorf (se usado mais atrás) ao Botafogo será ótima, tanto para a capacitação técnica quanto para o refinamento da saída de bola.

As duas estrelas internacionais vem para fazer acréscimos extremamente relevantes nas suas equipes, apesar de já não estarem em seu auge técnico há alguns anos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mano convoca x Luiz convoca


Hoje, Mano Menezes anunciou sua convocação para os Jogos Olímpicos de Londres. Como todos nós sabemos o time que disputa as Olimpíadas é um time sub-23, mas com direito de convocar até três jogadores acima dessa faixa etária.

Mano Menezes, que havia testado o sub-23 nas últimas quatro partidas já tinha um time base nas mãos. Na verdade, essa última "turnê" da seleção teve um saldo muito positivo. As vitórias sobre Dinamarca e Estados Unidos foram muito bem vistas pelos brasileiros, apesar de ser contra equipes fracas. As derrotas para o México e Argentina abalaram um pouco a seleção, mas o bom futebol diante do maior rival foi encarado com bons olhos. 

Nesses jogos jogadores como Marcelo, Rômulo, Rafael, Oscar e Hulk se destacaram bastante e se tornaram fortes opções para a seleção atualmente. Porém, problemas na zaga foram visíveis, especialmente na inexperiência dos zagueiros Juan e Bruno Uvini.

Hoje, pra mim, Mano foi incoerente. Tendo três "fichas" para gastar com jogadores acima dos 23 anos, parecia óbvio pôr experiência no sistema defensivo que mostrou fragilidades, como já citamos. Hulk, apesar do destaque nas partidas, seria mais facilmente substituído por Lucas ou Ganso (numa mudança de formação tática). Então utilizar um jovem no ataque é menos "preocupante" que na zaga. Mas não, Mano optou por Hulk.

Também foi incoerente em levar quatro laterais e só dois volantes. É verdade que Danilo também joga no meio campo, mas não é o ideal para a posição. Dá pra entender o que Mano fez e nem é algo absurdo, mas poderia ter sido mais coerente e precavido.

Enfim, meu Brasil olímpico:

GOLEIROS:
Rafael; 
Neto

ZAGUEIROS:
Thiago Silva
David Luiz
Juan

LATERAIS:
Rafael; 
Danilo; 
Marcelo

VOLANTES:
Rômulo;
Sandro;
Fernando;

MEIAS:
Oscar;
Ganso;
Lucas

ATACANTES:
Neymar;
Leandro Damião;
Alexandre Pato

Como já citei antes meus pontos de discordância com Mano são exatamente na escolha dos três jogadores maiores de 23 anos (David Luiz, Thiago Silva e Marcelo seriam os meus) e no número de volantes e laterais (três volantes e três laterais é mais coerente). Considero o ótimo volante Fernando como a melhor opção para a frente de zaga além de Rômulo e Sandro.

Mesmo com uma convocação incoerente em vários sentidos acredito que a Seleção tem grandes chances de trazer o ouro olímpico.

Inexplicável


O que comentar? Falar dos gols de Emerson? Da solidez defensiva do time? Da estrela de Romarinho? 

Não há o que falar. Não há o que comentar. São 102 anos de história de um clube batalhador e acostumado ao sofrimento. São 52 anos desde a primeira edição da Libertadores e nunca esse honrado e gigante clube brasileiro havia sido campeão.

Vítima de zoação por seus rivais a Libertadores foi se tornando cada vez mais almejada pelo Corinthians, ao mesmo tempo que se transformava no maior fantasma da história do clube. A eliminação pra o Palmeiras em dois anos seguidos e mais de dez anos depois o maior vexame de um clube brasileiro na Libertadores: a derrota para o Tolima. 

Só fizeram dar mais cabeças a esse "bicho" chamado Libertadores.

Mas é no sofrimento que esse time cresce. O Corinthians foi rebaixado para a segundona em 2007. Um dos  maiores vexames da história do Timão. Mas em 2008 se re-ergueram, voltaram a Primeira Divisão e começaram uma reformulação que contou com o investimento em Ronaldo em 2009. 

Aquele ano seria um recomeço para o Corinthians que ganhou a Copa do Brasil e o Paulistão no primeiro semestre e já no ano seguinte brigaria pelo título brasileiro ficando em terceiro lugar. Mas junto com a boa campanha no Brasileiro veio também a queda para o Flamengo nas oitavas-de-final.

Em 2011 a calamidade contra o Tolima. Mas de novo veio a redenção, dessa vez pelo comando de Tite e não de Mano (quem tinha liderado o time de 2008 ao primeiro semestre de 2010), com o título brasileiro no fim do ano.

No 2012 começou com um redentor destino pela frente. Essa redenção começou com uma atuação pífia diante do Deportivo Táchira perdendo de 1 a 0. Mas, como é a cara do Corinthians, a testa de Ralf salvou o time aos 48 minutos do segundo tempo.

Uma grande campanha prosseguiu daí com a invencibilidade na primeira fase, a vitória avassaladora sobre o Emelec, o jogo dificílimo contra o Vasco decidido por detalhes (o mais difícil da caminhada corintiana), a vitória tática e disciplinada sobre o Santos e a redenção sobre o Boca!

Talvez Cássio ainda não tenho tido noção da grandeza daquela defesa dele no chute colocado de Diego Souza. Paulinho não deve ter notado ainda a importância de sua eficiência quando marcou aquele gol aos 43 minutos contra o Vasco. Provavelmente Romarinho nem sabe quão decisivo foi seu gol em "La Bombonera". Acho que nem Emerson sabe a dimensão dos gols do título da Libertadores.

Gols em finais de Libertadores são mágicos pra qualquer um, em qualquer time. Mas para o Corinthians é inexplicável. Nem um mundial de clubes importava tanto para esse time quanto a Libertadores. 

Talvez nem Emerson, Cássio, Paulinho, Castán, Alessandro cheguem a serem tão idolatrados como Sócrates ou Marcelinho Carioca, mas seus nomes já estão escritos na história do Corinthians e nas mentes dos corintianos inexplicavelmente...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

As grandezas e as surpresas da temporada 2011-12 na Europa

A temporada européia de 2011-12 acabou há algumas semanas e teve um desfecho muito "tumultuado" e surpreendente. Na verdade, desde o início da temporada tudo parecia ser muito previsível e óbvio pela superioridade que alguns clubes mostravam em relação aos demais, mas tudo mudou de uma hora pra outra e a temporada deixou um legado que entra para a história.

Deixando de lado o romantismo vamos direto ao ponto. A temporada começou com o Barcelona no topo do mundo. Não só o Barça, mas também seu grande rival, Real Madrid, ditavam o ritmo do futebol mundial. A superioridade dos dois clubes era expressada pela grandeza dos seus elencos e das estrelas, Messi e Cristiano Ronaldo, e parecia encaminhar uma temporada avassaladora do futebol espanhol.

O Barcelona também reforçava seu elenco proporcionando o retorno de Fàbregas (formado no Camp Nou) e apostando na revelação chilena Alexis Sánchez. Ambos se encaixaram perfeitamente com a equipe de Guardiola e conquistaram, sem grandes dificuldades, a Supercopa da Espanha, Supercopa Européia e o Mundial de Clubes (com um show em cima do Santos).

Barcelona x Santos: Massacre do Barcelona sobre o Santos foi muito além da tática, foi uma vitória do futebol moderno e vistoso que encantou o mundo no clube catalão.

Até aí a temporada só tinha um nome: Barcelona, com o Real Madrid se aproximando. Mas tinha alguma coisa na temporada que parecia ser entristecedor: a fraqueza do futebol inglês.

O Manchester City até começou a temporada jogando muito bem, mas decepcionou na Champions sendo eliminado ainda na primeira fase. O Manchester United, que havia sido vice-campeão da competição na  temporada anterior, também caiu. Ambos foram para Liga Europa e tiveram mais um insucesso caindo nas oitavas-de-finais.

Os remanescentes do futebol inglês na Champions foram Chelsea e Arsenal. O segundo caiu já na fase seguinte para o Milan, enquanto o Chelsea se classificou de forma emocionante: perdeu por 3 x 1 para o Napoli na Itália e repetiu o placar em Londres no tempo normal, mas na prorrogação o improvável Ivanovic classificou os Blues.

A partir daí se iniciaria uma campanha histórica que mudaria o rumo da temporada. O que parecia probabilíssimo não aconteceu. O Real Madrid foi mais regular que o Barcelona e fez uma campanha superior no Campeonato Espanhol. 

Na Champions, porém, só tinha um clube que mostrava condições de tirar o título da Espanha: Bayern de Munique. A equipe alemã provou que com o time completo era a terceira maior força do mundo. A boa fase do centroavante Mario Gomez e o entrosamento da equipe davam condições ao título europeu.

Essas quatro equipes junto com o Manchester City fecharam a temporada espetacularmente e se tornaram os protagonistas da temporada. 

O Manchester City campeão da Premier League 2011-12: Elenco extremamente versátil em, praticamente, todos os setores; a equipe "resgatou" o 4-4-2, porém de uma forma moderna com muita movimentação e marcação adiantada.

Pra quem ver a dificuldade com que o Manchester City ganhou esse campeonato decidindo o título no último minuto da partida com gol de Sergio Agüero, pensa que seu futebol foi do nível do rival Manchester United. Mas não foi. O lado azul de Manchester apresentou o melhor futebol da Inglaterra na temporada, sem dúvidas.

Fora o Manchester City as outras quatro equipes tinham o seu foco na Liga dos Campeões. O Barcelona passou pelo Milan nas quartas-de-finais onde, depois de empatar por 0 a 0 em Milão, ganhou por 3 a 1 no Camp Nou com muitas críticas em cima da equipe. O argumento dos críticos era que o Barcelona estava mais fraco e dependente da arbitragem (Messi havia marcado dois gols em pênaltis duvidosos).

O adversário do Barça na semi-final já estava definido. Seria o Chelsea. O futebol inglês, tão criticado, havia conseguido um representante para o "top 4" da Champions. Do outro lado? O favoritismo valeu e os dois gigantes se enfrentariam na semi-final.

Os espanhóis, com todo o favoritismo do seu lado, teriam a chance de decidir em casa. Era a competição que mais importava a partir de agora. Toda a força dessas equipes estavam empenhadas com a Champions. E, pela lógica (que o futebol não possui), o Barcelona era mais que favorito ao título.

Mas a semana de 18 à 24 de abril mudariam a história da temporada. E, como disse antes, os frutos disso ficariam marcados na história do futebol.

Palco inicial, Stamford Bridge em Londres. 

O Barcelona montado no 4-3-3 habitual finalizou 24 vezes sendo duas nas traves, mas mesmo assim não balançou as redes do fechado Chelsea que tinha na meta o inspiradíssimo Cech; os Blues reconheceram a superioridade do Barcelona e se fecharam atrás com duas linhas de quatro num      4-1-4-1 totalmente disciplinado.

Resultado? 1 a 0 para os donos da casa: bola roubada de Messi, lançamento de Lampard para arrancada mortal de Ramires. Cruzamento rasteiro para, no meio da área, Didier Drogba decidir o jogo. Primeira derrota do Barcelona que pressionou muito, mas não marcou. O Chelsea, na sua proposta tática, foi mais efetivo que o Barcelona.

Não, não foi anti-jogo. Foi inteligência e humildade. O técnico Di Matteo sabia que era mais fraco que o Barcelona e se preparou para se defender da força deles e matar o jogo. Destaques? Além da disciplina tática e da consistência defensiva da equipe londrina, três jogadores merecem aplausos por suas atuações: Ramires (o veloz ponta brasileiro responsável pelas jogadas de contra-ataque), Petr Cech (a grande muralha da equipe, essencial para parar o ataque catalão) e Didier Drogba (não só decidiu o jogo, mas teve raça e disposição para recuar e ajudar marcação).

É óbvio que o Barcelona tinha condições de ganhar porque teria mais um jogo e dessa vez era dentro de casa, mas o fato de ter sido a primeira derrota da equipe na competição era um alarme. O que estava faltando ao Barça? Talvez não seja a pergunta correta... O que sobrou ao Chelsea?

Antes da segunda parte dessa batalha (dia 24) o Barcelona teria um outro jogo decisivo com o maior rival. O Real Madrid estava muito próximo do título espanhol, mas tinha o Barça no caminho que ainda sonhava em bater o rival e tentar levar a taça. Como sabemos já havia um tempo que o Real era freguês do Barça. 

Mas dentro de campo não foi o que aconteceu. O Real entrou pra parar o poderoso rival. Marcação cerrada, dando poucos espaços. Já o Barcelona não tinha inspiração. Já fazia um tempo que a equipe não tinha o mesmo futebol. Seria má fase? Aquele jogo poderia dizer.

Khedira abriu o placar e dificultou a situação do time catalão. Não tinha Barcelona naquele jogo. Tinha algo errado. O segundo tempo começou e um novo jogo também. O Barcelona veio buscar o jogo e depois de arrancada de Messi a bola sobrou para Tello que chutou forte em cima de Cassillas. No rebote Adriano chutou, a bola desviou na zaga e sobrou para Sánchez empatar o jogo. Será que o Barcelona ia repetir mais uma grande atuação em cima do Real e ia aumentar a freguesia? Cristiano Ronaldo disse que não ao marcar o gol da vitória num contra-ataque letal. 

O jogo decretou quatro coisas: a má fase catalã, a volta por cima do Real sobre o Barça, um momento de decisão de CR7 (finalmente) e o título espanhol. Tudo que o Real desejava. O pior pesadelo do Barça. 

Não... o pior estava pela frente. Aquela semana (18 à 24 de abril) mudaria a história do Barcelona nesses três jogos. A segunda parte do duelo com Chelsea estava por vir.

Dia 24 de abril, Camp Nou.

Atrás de uma vitória o Barcelona veio para sufocar o Chelsea e chegava a atacar com oito homens (quando Dani Alves entrou no lugar de Piqué) a retaguarda do Chelsea, que estava totalmente fechada atrás.

 O Chelsea, disciplinado como em Londres, veio jogar sério, disposto a se defender. O Barcelona se dizia pronto pra ganhar. Dentro de campo, um duelo de ataque contra defesa. A pressão era extrema e incessante. Cech era acionado em todo lance. O ferrolho do Chelsea estava firme

Daniel Alves enfiou uma bola na esquerda para Cuenca que cruzou rasteiro e viu Busquets escorar para o gol: 1 a 0 Barça. A disputa estava igualada num dia que só o Barcelona atacava. A chance de sair mais um do Barça era grande. Um do Chelsea era quase inimaginável. 

Se já era possível imaginar isso àquela altura, quanto mais com a expulsão do capitão dos Blues, John Terry. Lionel Messi, que tentava mas não acertava, arrancou e rolou para Iniesta fazer o segundo. Que situação...!

Com um time inferior, jogando na casa do adversário, o adversário sendo o melhor time do mundo, com um jogador a menos e 2 a 0 no placar ainda no primeiro tempo. Que possibilidade existe do Chelsea reverter essa situação?

O futebol é grande e surpreendente... e o Chelsea super efetivo, humilde e disposto. Lampard enfiou uma bola entre os zagueiros e achou Ramires dentro da área para dar moral ao Chelsea com um golaço por cobertura em Valdés: 2 a 1 e classificação para o Chelsea.

Dois minutos do segundo tempo: Lionel Messi na bola. Pênalti pro Barcelona. Na raça de sempre de Drogba, carrinho por trás em Fàbregas. O melhor do mundo não perderia. Quatorze gols na Champions. Perder um pênalti?

Travessão... A sorte brilhava para o Chelsea. Pressão do Barcelona! Incessantemente no campo de defesa do Chelsea. Todos nove os jogadores na proteção da zaga. Quando passavam do ferrolho azul se deparavam com Petr Cech e com a trave. Não tinha como. A raça do Chelsea era incrível.

O guerreiro Didier Drogba saiu de campo para dar lugar a Fernando Torres. O espanhol nunca brilhou com a camisa do Chelsea, mas viu numa bola lançada da área cair nos seus pés. À frente de todos os jogadores do Barça. Só ele e Valdés. Caixão catalão selado pelo matador espanhol. Compensou cada milhão gasto nele, fazendo um dos gols mais importantes da história do Chelsea e um dos mais marcantes na temporada. 

Não era uma derrota do Barcelona. Era o desfecho de um império. O Barça havia caído em 2010 para a Inter de Milão. Mas em outra situação. Ganhando o Campeonato Espanhol e sendo base da Seleção Espanhola campeã do mundo. Tanto que se reergueu ainda mais forte. Mas dessa vez não... 

Pep saiu do clube. E aquela geração não é mais a mesma. O Barcelona não terminou feio. Jogando abaixo do seu habitual ele perdeu para Chelsea e Real Madrid se trancando atrás e apelando para os contra-ataques porque sabiam da força deles. Eles ainda são os melhores do mundo. Mas tudo que indica que não há mais ascensão. O Barcelona marcou história. Foi o melhor time das última décadas (o melhor que vi). Isso é fato.

Mas o Chelsea também! Com tudo desfavorável fez história sobre o maior time do mundo e tinha pela frente uma final de Champions. Final essa que seria disputada na Allianz Arena, em Munique contra o Bayern. O clube alemão ganhou do Real em casa por 2 a 1 e perdeu em Madrid pelo mesmo placar. Nos pênaltis viu Neuer brilhar e os batedores do Real fracassarem.

A final. O Bayern tinha muita coisa a seu favor. Superioridade técnica, muitos desfalques no Chelsea e o 'fator casa'.

Mas o Chelsea e o imponderável que torna o futebol cada vez mais apaixonante fariam história e tornariam um jogo chato até os 38 da segunda etapa em uma final de gala. O motivo? Aos 38 do segundo tempo Thomas Müller abriu o placar na Allianz Arena para dar o título europeu ao Bayern num jogo morno de ataque contra defesa.

O jogo continuaria morno não fosse a cobrança de escanteio, cinco minutos depois, do apagado Mata na cabeça de Drogba para empatar o jogo e levar para a prorrogação. Minutos de vilão passariam na vida do atacante marfinense ao cometer um pênalti no início do primeiro tempo da prorrogação. Mas o Chelsea e o imponderável conseguiriam reverter essa situação de perigo para um pressão psicológica no Bayern quando Cech defendeu a cobrança de Robben. O resto já é conhecido por todos: vitória nos pênaltis do Chelsea com direito a pênalti perdido do craque do time bávaro.

 Semelhança táticas, mas diferenças propostas de jogo: ambos os times armados no 4-2-3-1, mas o Bayern usava a formação para buscar o jogo com as jogadas de ponta e com a movimentação dos volantes, enquanto o Chelsea vinha para se resguardar atrás e correr pelo contragolpe.

A conjunção astral e o brilho indescritível e imponderável do Chelsea fechava a temporada e fazia história. Em anos que a equipe se planejou para a disputa da Liga dos Campeões se depararam com o fracasso. Quando estão na "cova" com troca de técnico, elenco "velho" e má campanha na Premier League os Blues erguem a Europa nas mãos.

Isso é futebol. Não tem que se esperar lógica. Quando tudo está muito previsível pode saber que há algo errado aí. Com grandezas e surpresas a temporada europeia de 2011-12 entrou para a história. A "queda" do maior time do século XXI, a redenção de um gênio que termina a temporada sem grandes títulos e a atuação do imponderável a favor do Chelsea marcaram a temporada, que deixa um legado pépertuo nas nossas memórias!

domingo, 1 de julho de 2012

Seleção e balanço da Eurocopa 2012

Minha seleção da Eurocopa 2012 montada numa espécie de 4-3-3

Iker Casillas (GOLEIRO) - Espanha: O fato de só ter levado um gol durante toda a Euro e de ter sido firme em todas as vezes que testado (não foram muitas, mas em todas foi praticamente perfeito) mostra a regularidade do grande arqueiro espanhol, melhor da Euro na posição;

Pepe (ZAGUEIRO) - Portugal: O limitado zagueiro luso-brasileiro havia feito uma ótima temporada pelo Real Madrid e continuou bem na Eurocopa sendo preciso, competente e decisivo na campanha da sua seleção;

Mats Hummels (ZAGUEIRO) - Alemanha: Zagueiro rápido, técnico e eficiente, a jovem relação alemã é, na minha opinião, o grande destaque da posição na competição européia e uma das grandes revelações do futebol mundial;

Gebre Selassie (LATERAL) - República Tcheca: O lateral foi o principal destaque da sua seleção (eliminada por Portugal nas oitavas-de-final) apoiando com precisão e sendo eficiente na defesa;

Jordi Alba (LATERAL) - Espanha: Grande revelação da Eurocopa, o jovem lateral-esquerdo foi a referência de velocidade da Seleção Espanhola e já foi, merecidamente, contratado pelo Barcelona devido seu grande momento;

Andrea Pirlo (VOLANTE/MEIA) - Itália: O craque de 32 anos vive grande momento na Juventus e repetiu as boas atuações na sua seleção tendo liberdade para armar o jogo italiano e foi, na minha opinião, o craque da competição mesmo com o insucesso na final; 

João Moutinho (MEIA) - Portugal: Junto com Cristiano Ronaldo e Pepe foi o grande destaque da seleção lusa nessa Euro. Moutinho foi o principal jogador do meio-campo português e principal armador no 4-3-3 de Paulo Bento;

Andrés Iniesta (MEIA) - Espanha: Craque da Espanha na Euro, Iniesta continua repetindo suas ótimas atuações e é, há alguns anos, uma das peças chaves da equipe, especialmente no momento atual;

Cristiano Ronaldo (MEIA/ATACANTE) - Portugal: CR7 entra na seleção por ter sido altamente decisivo para Portugal em duas partidas (contra Holanda e República Tcheca) onde fez as duas melhores exibições individuais da competição;

David Silva (MEIA/ATACANTE) - Espanha: O meia do Manchester City já havia feito uma ótima temporada na caminha ao título inglês do seu clube e seguiu sendo essencial para a Espanha nessa Eurocopa com as frequentes participações nos gols da equipe, mesmo sendo substituído em, praticamente, todos os jogos da competição;

Mario Balotelli (ATACANTE) - Itália: O polêmico atacante de 21 anos, começou a competição imensamente criticado pelas más atuações contra Espanha e Croácia, mas se redimiu ao marcar um golaço contra a Irlanda. Nas oitavas-de-final ele voltou a perder vários gols contra a Inglaterra, mas compensou tudo com dois golaços contra a Alemanha que decidiram o jogo e a vaga italiana na final, com todas as irregularidades foi o centroavante mais decisivo da competição.

Como balanço geral da competição tenho alguns pontos a eleger ainda:

Técnico: Cesare Prandelli (Itália) pelo inteligente losango no meio-campo italiano para dar liberdade a Pirlo;

Revelação: Jordi Alba (Espanha);

Craque: Andrea Pirlo (Itália), apesar da triste final de caminhada;

Pois é... a Eurocopa já acabou. O que vocês acharam? Gostaram da competição? Concordam com minha seleção? Comentem...!

É superior... e me provou isso!


Hoje, pela manhã, postei um texto aqui no blog dizendo que a Itália, por causa da sua grandeza e tradição no futebol, não pode ser vista como "zebra" por ser finalista numa Eurocopa. Também falei que a Espanha não estava jogando tão encantadoramente quanto antes e que isso dava chances de título à Itália.

Nem sei meu objetivo aqui nesse texto... me defender das críticas ainda não sofridas pelo último post? Parabenizar a Espanha? "Consolar" a Itália?

Talvez um pouco dos três. Na verdade é quase um desabafo.

A Espanha mostrou um grande futebol na Copa. Chato pra alguns, sonolento pra outros e encantador pra muitos. Pra mim, é chato porque falta objetividade, sonolento porque chega a ser hipnótico o cadenciamento de jogo, encantador porque envolve o adversário com o volume do jogo e a marcação por pressão.

Esse estilo de jogo me encantou ainda mais no Barcelona, onde era ainda mais forte que na Espanha. Nessa temporada, porém, o Barcelona passou por uma baixa devido a falta de contundência no ataque e terminou caindo no fim da temporada tanto no Campeonato Espanhol quanto na Liga dos Campeões.

Imaginava que a Espanha poderia ter o mesmo problema. O Barcelona se mostrou ainda mais dependente de Messi por esse motivo e a Espanha não tem Messi e nem seu principal artilheiro, David Villa. 

Acertei a minha previsão e a Fúria sofreu com isso ao longo da competição. Não tinha um titular absoluto para o comando do ataque. Iniciou com Fàbregas como 'falso-nove', depois entrou com Torres (que deu certo com a Irlanda), mas voltou atrás para Fàbregas e chegou a utilizar Negredo na semi-final contra Portugal. Mesmo assim nenhum desses brilhou.

Fàbregas foi o que fez melhor como 'falso-nove' e chegou a ser titular hoje na final. Torres, com os três gol marcados, sai com um bom saldo da competição mesmo sem ter dado show.

A questão é que a falta de contundência a Espanha pesou ao longa da competição e atrapalhou a seleção. A Espanha só brilhou contra a fraquíssima Irlanda que goleou por 4 a 0. Na fase final foi totalmente hipnótica contra a apática França e foi travada pela marcadora seleção portuguesa.

Suspeitei que a Itália pudesse surpreender com marcação forte e contra-golpes letais e levar a taça da Eurocopa. Não aconteceu. Não porque a Itália jogou mal, mas porque a Espanha guardou todo o futebol não tão bem apresentado na Euro para hoje e, sem grandes dificuldades, escreveu mais um feito na sua história (que cada vez mais entra para o Hall do futebol mundial): 4 a 0 na Itália.

Não importa se vai ser uma breve safra, algo passageiro ou se seu futebol é encantador ou sonolento.

O que a Espanha tem feito demonstra superioridade, e isso, hoje em dia, é indiscutível: a Espanha é superior às demais seleções do futebol mundial.

Pra mim não é surpresa


Não entendo porque, por algumas pessoas, a Itália é vista como "zebra" nessa Eurocopa.

Estamos falando da Itália! Alguns disseram, depois do empate com a Croácia, que ela estava quase a passar por um vexame. Longe disso! O adversário que tinha pela frente era a fraquíssima Irlanda e o futebol apresentando pela Azzura nas duas primeiras partidas não foi ruim.

A Itália começou jogando bem com a Espanha (duelo muito equilibrado, em que no primeiro tempo a Itália jogou melhor) e deu um vacilo contra a Croácia, onde poderia ter decidido o jogo ainda no primeiro tempo. Contra o time mais fraco do grupo, fez-se a lógica. 

Vi alguns dizendo que a Inglaterra era a favorita contra a Itália, nas quartas-de-finais. Discordei totalmente! Acredito que consideraram isso apenas porque a Inglaterra passou na primeira colocação do seu grupo, ao contrário da Itália. Mas, pra mim, em nenhuma das três partidas da primeira fase a Inglaterra jogou o que a Itália havia jogado.

E no confronto direto entre as duas potências a Itália jogou muito melhor! Teve inúmeras chances de decidir o jogo durante todos os 120 minutos. Nos pênaltis, fez-se a lógica novamente.

Contra a Alemanha, eu pensava diferente de todos. Sabia que a Itália havia crescido muito na competição. A Alemanha era, pra mim, o time a ser batido nessa Euro (junto com a Espanha, claro). E não me lembro da Itália "amarelar" em momentos decisivos.

É a Itália gente! Acordem! A segunda maior campeã do mundo! Uma seleção de tradição enorme! Não tem nada de "zebra" na Itália massacrar a Alemanha e chegar na final! Zebra é a Grécia passar de fase, a Dinamarca vencer a Holanda. Isso é zebra! 

Ah...! Vocês vão dizer que o início "ruim" (pra mim, não foi ruim!) na Eurocopa, o escândalo de apostas no Campeonato Italiano e a baixa colocação no ranking da FIFA mostra a má fase italiana. 

Por favor...! Os dois últimos títulos mundiais da Itália (em 1982 e 2006) foram na mesma situação. Vinham de escândalos, má fase, mas levou a Copa! Da última vez, por exemplo, começaram na primeira fase sem empolgar, nas oitavas-de-finais ganharam de 1 a 0 da Austrália com um gol de pênalti de Totti nos acréscimos da segunda etapa em pênalti inexistente. A partir daí passou pela zebra (sim, ZEBRA!) Ucrânia e chegou para enfrentar a dona da casa Alemanha. 

Favorita, a dona da casa perdeu (assim como na final de 1982) para a Itália, que seria campeã. E sabe quanto tempo faz isso? Apenas seis anos. 

Tá certo que na última Copa a Itália deu o maior vexame da sua história, mas isso para a Itália sempre funciona mais como combustível do que como desestímulo.

Hoje, a Itália enfrenta a Espanha. A Fúria não é tão encantadora como há dois anos. E se, houver alguma semelhança com o jogo de estreia das duas, a Itália tem grandes chances de levar o bi-europeu.

E, pra mim, é isso que acontecerá. A geração de Pirlo, Buffon e De Rossi estão muito próximos a continuarem fazendo história pela Azzura.